O Ministério da Saúde divulgou nesta semana um balanço preliminar da campanha de vacinação contra a dengue iniciada em fevereiro. Os dados mostram que municípios que atingiram cobertura vacinal acima de 70% na faixa etária de 6 a 16 anos registraram queda de 18% nas internações por dengue grave em comparação ao mesmo período de 2024.
A vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, foi distribuída gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes em 521 municípios considerados prioritários, com base no histórico de transmissão da doença. Ao todo, cerca de 3,2 milhões de doses foram aplicadas até o momento.
A secretária de Vigilância em Saúde, Dra. Patrícia Vasconcelos, classificou os resultados como "encorajadores, mas ainda preliminares". "Precisamos de pelo menos dois ciclos epidemiológicos completos para ter uma avaliação robusta da efetividade em campo. Mas os dados iniciais são consistentes com o que os ensaios clínicos mostraram", afirmou ela em coletiva de imprensa.
O Diário Central consultou epidemiologistas de três universidades federais para contextualizar os números. Todos ressaltaram que a vacinação é uma das ferramentas disponíveis, mas que o controle do Aedes aegypti ainda depende fundamentalmente de ações de saneamento e eliminação de criadouros.
"A vacina protege o indivíduo, mas não elimina o mosquito. Precisamos das duas frentes simultaneamente", explicou o professor Rodrigo Melo, da UFMG, que coordena um grupo de pesquisa sobre arboviroses.
O calendário vacinal prevê a aplicação da segunda dose entre 3 e 6 meses após a primeira. A campanha deve ser expandida para novos municípios no segundo semestre, dependendo da disponibilidade de doses.